Como é do conhecimento de todos na semana
passada (10 a 14 de março) comemorámos a Semana da
Leitura, centrada no tema da Língua Portuguesa que celebra os 800
anos do conhecimento dos seus textos mais antigos. O lema escolhido foi: “O
Português nas bocas do mundo”.
O Português é falado nos cinco
continentes, é a língua oficial de oito países: Angola (19,8
milhões de habitantes), Brasil (194,9 milhões), Cabo
Verde (496 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique
(23,3 milhões), Portugal (10,6 milhões), São Tomé e Príncipe (165
mil) e Timor-Leste (1,1 milhões). Contudo, só nos casos de Portugal
e do Brasil é contabilizada toda a população como falante de português. Em
Timor-Leste, por exemplo, apenas 20% dos habitantes falam português, enquanto
na Guiné-Bissau são 57%, em Moçambique 60%, em Angola 70%, em Cabo Verde 87% e
em São Tomé e Príncipe 91%, revelam os dados do observatório.
O Testamento de D. Afonso II é considerado por muitos estudiosos como o primeiro texto escrito em
língua portuguesa. Esta datação não é pacífica; existem outros textos que
reivindicam a mesma proeza, nomeadamente a “Notícia de Torto” e a “Notícia de Fiadores”.
No entanto, “Testamento de D.Afonso II” é aquele que reúne mais consenso, e
para o qual existe uma data de redação mais provável, 1214. Para homenagear a
língua portuguesa, é apresentada em seguida uma transcrição integral desse
texto.
Em nome de Deus. Eu, rei D. Afonso, pela graça de
Deus, rei de Portugal estando são e salvo, temendo o dia da minha morte, para a
salvação da minha alma e para proveito de minha mulher D. Orraca e de meus
filhos e de meus vassalos e de todo o meu reino, fiz meu testamento para que
depois de minha morte, minha mulher e meus filhos e meu reino e meus vassalos e
todas aquelas coisas que Deus me deu para governar estejam em paz e em
tranqüilidade. Primeiramente mando que o um filho, infante D. Sancho, que tenho
da Rainha D. Orraca assuma o meu reino inteiramente e em paz. E se este morrer
sem deixar descendentes, o filho mais velho que houver da rainha D. Orraca
tenha o meu reino inteiramente e em paz. E se não tivermos filho homem, a filha
mais velha que tivermos, assuma o reino. E se no tempo da minha morte, meu
filho ou minha filha que deve reinar não tiver idade, esteja o reino em poder
da rainha, sua mãe. E meu reino siga em poder da rainha e de meus vassalos até
quando cheguem à idade. E se eu morrer, rogo ao Papa, como padre e senhor e
beijo a terra ante seus pés para que ele receba sob sua guarda e sob sua
proteção a rainha e meus filhos e meu reino. E se eu e a rainha morrermos, rogo
e peço que meus filhos e o reino sigam sob sua proteção
Ano de 1214
Data provável: 27 de junho de 1214